Osteoporose
Pós-Menopáusica

César Eduardo Fernandes, Nilson Roberto de Melo,
Salim Wehba, Rogério Bonassi Machado

 

A osteoporose é conceituada como sendo uma doença caracterizada por deterioração microarquitetural do tecido ósseo, com redução da massa óssea em níveis insuficientes para a função de sustentação, tendo como conseqüência elevado risco de fratura.

A osteoporose pós-menopáusica juntamente com a senil são formas primárias de osteoporose e consideradas involucionais. Constitui-se na mais comum das doenças ósseas metabólicas, afetando muitas mulheres no final de suas vidas.

Existem, por outro lado, causas secundárias de osteoporose, geralmente relacionadas a outras doenças ou fatores, que se relacionam a afecções de origem endócrino-metabólicas (hereditárias ou não), reumatológicas, renais, digestivas, neoplásicas e o uso de medicações, que interferem com o equilíbrio do cálcio (corticosteróides, anticonvulsivantes, antiácidos, entre outros).

Em 20% dos casos há uma doença secundária determinando a osteoporose, sendo que os casos restantes devem-se à variedade involucional ou primária1.

O custo social e familiar devido às fraturas osteoporóticas é muito grande. Também é elevado o custo econômico que acompanha essas fraturas. É grande o número de pessoas afetadas, sendo caro e longo o tratamento a que são submetidas.

A osteoporose constitui-se nos dias atuais em importante problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, afeta mais de 25 milhões de pessoas, predispõe a mais de 1,3 milhão de fraturas ao ano, incluindo mais de 500.000 fraturas vertebrais, 250.000 fraturas de quadril e 240.000 fraturas de punho com custo estimado de 10 bilhões de dólares2.

As fraturas de vértebras, antebraço distal e fêmur proximal dos indivíduos idosos, especialmente se relacionadas a traumatismos leves, têm sido atribuídas tradicionalmente à osteoporose. Sem dúvida, estudos recentes têm revelado que mesmo fraturas do úmero proximal e a maioria das fraturas pélvicas devem definitivamente ser incluídas nessa categoria1.

As fraturas osteoporóticas mais comuns são as fraturas vertebrais. Estudos levando em conta as deformidades compressivas da coluna vertebral, independente da severidade, estimam que um terço das mulheres acima de 65 anos de idade tem uma ou mais fraturas vertebrais3.

Dado que a maioria delas é assintomática quando ocorre, torna-se difícil precisar sua real incidência. Os dados de prevalência de tais fraturas são também imprecisos, mas alguns comentários de ordem geral podem ser feitos. A relação mulher/homem é cerca de 7/1 para as fraturas vertebrais em contraste com a relação 2/1 encontrada entre as fraturas do quadril4,5. Ocorre aumento dramático e contínuo dessas fraturas após os 65 anos de idade.

Cerca de 85% das fraturas de quadril ocorrem entre as mulheres. A incidência aumenta exponencialmente com a idade, indo de 9/100.000 entre as idades de 35 e 44 anos para 3.317/100.000 mulheres/ano em pacientes com 85 anos ou mais6 (Figura 1).

No Brasil a incidência da osteoporose não é clara. Algumas tentativas são feitas visando estimá-la, tento como base a extrapolação da incidência suposta de osteoporose sobre dados dos censos populacionais fornecidos pelo IBGE. Tendo em vista que essa enfermidade tem sua epidemiologia ligada à evolução da pirâmide populacional, essas estimativas para o futuro em nosso país oferecem perspectivas muito preocupantes.

Os dados do IBGE de 1994 revelam uma população brasileira de 150 milhões de pessoas, dos quais aproximadamente 10% a 12% são de idosos (acima dos 60 anos de idade). Com base nesses dados estima-se uma população de osteoporóticos ao redor de 2,5 milhões de indivíduos. As fraturas do quadril (5% da população acima dos 65-70 anos) estariam próximas de 105 mil casos anuais, com um custo estimado ao ano de 630 milhões de reais7.

A falta de programas definidos de prevenção de osteoporose projeta o número de indivíduos osteoporóticos para o ano 2000 em 4,3 milhões, com prováveis 215 mil fraturas de colo de fêmur ao ano7. Fica clara a importância do adequado conhecimento da incidência, fisiopatologia, diagnóstico e fundamentalmente da prevenção da osteoporose, que já nos dias atuais constitui-se em importante problema de saúde pública também em nosso país.

As repercussões sobre a saúde pública das fraturas relacionadas a osteoporose podem ser dimensionadas em termos de morbidade e mortalidade. As fraturas do fêmur proximal são de longe as mais graves. Associam-se a uma diminuição da expectativa de vida de 12% ou mais8.

O aumento de mortalidade produz-se principalmente nos primeiros três ou quatro meses que seguem a fratura do fêmur proximal. São responsáveis nos Estados Unidos por grande parte das mortes acidentais em mulheres e homens com mais de 75 anos8. Outras fraturas raramente são causa de morte, a menos que o paciente tenha outras lesões associadas.

As pacientes que sobrevivem a uma fratura do fêmur proximal em geral não conseguem bons resultados nos programas de reabilitação, convivendo, não raro, com seqüelas importantes.

Metade das pacientes que antes da fratura andavam normalmente não conseguem fazê-lo posteriormente, a despeito dos esquemas de fisioterapia reabilitadora empregados, comprometendo seriamente a qualidade de vida que se segue. Passam, a partir de então, a necessitar de auxílio para os cuidados pessoais e mesmo para a higiene íntima.

A mortalidade em decorrência das fraturas vertebrais é bastante baixa se comparada com a observada após as fraturas do quadril. Por outro lado, a morbidade crônica, que se arrasta por muitos anos em grande número de mulheres acometidas, compromete seriamente sua qualidade de vida, tornando sua prevenção de extrema importância.

Os resultados do tratamento da osteoporose estabelecida costumam ser precários. Por essa razão, nos últimos anos, maior ênfase tem sido dada às medidas profiláticas, procurando-se evitar que as pacientes atinjam o estado de osteoporose, com as fraturas subseqüentes.

Uma das mais significativas conseqüências da menopausa, agora largamente reconhecida em todo o mundo, não é o temporário desconforto ocasionado pelas ondas de calor, mas sim o fato de que cerca de uma em cada quatro mulheres, na faixa etária dos 65 anos ou mais (cerca de 15 anos após a ocorrência da menopausa), pode tornar-se física e psicologicamente inválidas em decorrência dos transtornos ocasionados pela osteoporose.

Os ginecologistas são tidos, em geral, por suas pacientes como o seu primeiro médico, sendo aquele que lhe dará cuidados primários de saúde além dos cuidados próprios da especialidade. Apresenta assim o perfil ideal para o acompanhamento da mulher no período da pós-menopausa, monitorando a evolução da massa óssea e a eficácia do tratamento preventivo.

Fisiopatologia da Osteoporose Pós-menopáusica

Aparentemente existe um nível de densidade óssea, acima do qual as fraturas osteoporóticas não ocorrem. Abaixo desse nível o risco aumenta progressivamente, de forma contínua. A variedade pós-menopáusica dessa desordem é de longe a mais comum, relacionada, como veremos, à perda óssea, que acompanha o estado hipoestrogênico característico do período.

O esqueleto adulto não é uma estrutura inativa como à primeira vista pode parecer. Ele sofre um contínuo processo de remodelagem no qual a reabsorção está acoplada à formação óssea. Em cada unidade de remodelação óssea parece ocorrer uma seqüência determinada de eventos. Compreende etapas sucessivas de repouso, ativação, reabsorção, fase reversa, formação (síntese de matriz e sua mineralização), com retorno à fase de repouso para iniciar novo ciclo após determinado estímulo9 (Figura 2).

As células que participam da remodelação óssea têm origem diversa. Os osteoblastos – sistema de células fixas – derivam da linhagem das células de revestimento (células da matriz mesenquimal – fibroblastos e osteoblastos), enquanto os osteoclastos – sistema de células móveis – provêm de unidades formadoras comuns de granulócitos e macrófagos da medula óssea denominadas de UFC-GM (linhagem linfócito-monócito-macrófago-osteoclasto) (Figura 3).

De outra forma, pode ser dito que o braço da reabsorção óssea é formado por células que não são próprias do tecido ósseo. São células de linhagem sangüínea que são atraídas à superfície óssea para dar início ao processo reabsortivo. O outro braço – de formação óssea – é formado por células próprias do tecido ósseo, que preenchem a lacuna de reabsorção com a síntese de matriz colagenótica (Figura 4).

Normalmente, a reabsorção e a formação são acopladas e, quando a homeostasia é ideal, pode-se esperar que a quantidade de osso no início e no fim do ciclo de remodelagem seja exatamente idêntica. Quando a mulher atinge os 40 anos de idade, a reabsorção começa a exceder a formação óssea em cerca de 0,5% ao ano.

Quando se atinge a menopausa, a quantidade de osso reabsorvida aumenta agudamente, enquanto a quantidade de osso formado aumenta moderadamente10. Dessa forma a cada ano perde-se de 1% a 3% de osso cortical e acima de 5% de osso trabecular. Essa erosão óssea mantém-se durante cerca de 10 a 15 anos, após o que a perda óssea é consideravelmente diminuída (Figura 5).

A perda óssea relacionada à menopausa resulta em 15% a 30% de decréscimo de osso trabecular e de 10% a 15% de redução do osso cortical11. Assim, a deficiência estrogênica é responsável por um terço até a metade da perda óssea observada durante a vida da mulher. Em 20 anos perde-se 50% do osso trabecular e 30% do osso cortical, proporcionando condição para elevado risco de fratura. A perda óssea é mais rápida durante os primeiros três a quatro anos após a menopausa. Nos anos seguintes ocorre uma atenuação na velocidade de redução da massa óssea.

Ecossistema ósseo

Um estímulo inicial ativa o ciclo de remodelação. Os osteoclastos promovem erosão óssea formando uma cavidade, ao longo de duas ou três semanas, conhecidas no osso trabecular como uma lacuna de Howship, reabsorvendo um volume de osso aparentemente predeterminado. Tendo completado a tarefa, essas células multinucleadas desaparecem, sendo o seu destino incerto. São substituídos pelos osteoblastos que depositam células osteóides, reabastecendo a cavidade formada. A mineralização do osteóide, que se inicia cinco a dez dias mais tarde, completa o processo de reparo.

Muitos dos fatores que controlam a reabsorção óssea não são bem compreendidos. A ativação é um processo que parece ser controlado por fatores locais (bioquímicos e físicos) e sistêmicos, como hormônio paratireóideo, 1,25 diidroxivitamina D, calcitonina e hormônios sexuais.

Admite-se haver um sistema de comunicação entre as linhagens celulares de osteoclastos e osteoblastos para o adequado acoplamento da remodelação óssea. A reabsorção de osso velho pelos osteoclastos e a subseqüente formação de osso novo pelos osteoblastos são processos estreitamente relacionados. O termo acoplamento é usado para definir essa forte associação. Existe na realidade um verdadeiro ecossistema ósseo, intercomunicando o sistema de células móveis e fixas (Figura 6).

Mister se faz mais uma vez observar que os osteoclastos têm origem comum com a linhagem de células sangüíneas, e em princípio a hematopoiese e a osteoclastogênese podem estar sobre as mesmas influências, sofrendo interferência em princípio de substâncias localmente produzidas.

Esse ecossistema possibilita a comunicação entre os dois tipos de linhagens celulares envolvidos na remodelação óssea (osteoblastos e osteoclastos) por meio desses mensageiros localmente produzidos, denominados de "citocinas", que possibilitam o recrutamento das células progenitoras e a ativação ou depressão do processo de remodelação, tanto em relação à formação quanto à reabsorção óssea.

Existe uma lista de substâncias referidas como citocinas. Entre essas, relacionam-se as interleucinas IL-1, IL-3, IL-6, as prostaglandinas, os insulin-like growth factor (IGF), o tumor necrosis factor (TNF), o transforming growth factor-b (TGF-b), entre outras. O efeito dos estrogênios na modulação de síntese dessas citocinas será apreciado adiante.

Papel dos Estrogênios

Estudos avaliando a densidade óssea em mulheres com idade entre 20 e 50 anos indicaram que se atinge o pico de massa óssea adulta ao final ou logo após se atingir o crescimento linear do esqueleto12. Infelizmente, o pico de massa óssea adulta não pode ser influenciado de maneira significativa por dieta ou exercícios em virtude de ser, em larga escala, geneticamente determinado.

Os estrogênios atuam sobre a remodelação óssea inibindo a reabsorção, não parecendo estimular a formação de osso13. Recentemente, no entanto, foram descritos receptores de estrogênios em culturas de células ósseas, tanto em osteoblastos quanto em osteoclastos14,15.

Outros mecanismos indiretos podem atuar por meio da inibição da síntese de prostaglandinas. Entre essas, particularmente aquelas da série E podem atuar como reguladores locais das células ósseas, influenciando tanto a formação como a reabsorção. Estudos in vitro têm demonstrado um aumento de cerca de duas vezes de prostaglandina E2, liberada de culturas de ossos parietais obtidos de ratas ooforectomizadas, que são inibidas por prévio tratamento in vivo com baixas doses de estradiol16.

O hormônio paratireóideo (PTH), estimulador da reabsorção óssea, parece ter seu efeito antagonizado pelos estrogênios. Um decréscimo da atividade estrogênica leva a uma ligeira elevação dos níveis de cálcio no sangue com hipercalciúria, resultando em balanço negativo do cálcio. Concentrações plasmáticas e urinárias de cálcio, fósforo e hidroxiprolina (degradação do colágeno) aumentadas, refletindo reabsorção óssea, têm sido relatadas em mulheres após a menopausa, particularmente naquelas em que esta foi induzida artificialmente. Essas alterações têm sido prevenidas em pacientes sob reposição estrogênica.

Entre as teorias para explicar o papel dos estrogênios na supressão da perda óssea encontra-se a da calcitonina. Essa é uma teoria segundo a qual os estrogênios atuariam de maneira indireta sobre o osso, ao estimular a secreção de calcitonina pelas células medulares da tireóide e, desse modo dirigir a inibição da atividade osteoclástica, diminuindo a reabsorção óssea17,18.

Por outro lado, a deficiência estrogênica pode propiciar um aumento na sensibilidade esquelética às ações do PTH, com um aumento posterior na reabsorção óssea, ao passo que níveis mais altos de estrogênios podem reduzir a atividade do PTH circulante19,20,21.

Conforme anteriormente mencionado, no mecanismo local de remodelação óssea, o papel das citocinas tem grande importância, que podem ser moduladas pela ação estrogênica.

Não está claro no presente momento quais funções osteoblásticas são moduladas pelos estrogênios. Tem sido difícil demonstrar efeitos proliferativos ou de diferenciação dos estrogênios sobre os osteoclastos. Parece mais consistente, com base nos estudos in vivo, que os estrogênios exerçam os seus efeitos diminuindo a atividade osteoclástica.

Admite-se assim que estrogênios atuam nos osteoblastos estimulando ou inibindo a produção de substâncias que controlariam a função osteoclástica. Por esse mecanismo os estrogênios controlam, de maneira indireta, a função osteoclástica via atuação direta no osteoblasto, pela elaboração de um ou mais fatores.

Esses fatores derivados dos osteoblastos podem ser fatores estimuladores ou inibidores da atividade osteoclástica, denominados respectivamente de OB-OCSF (osteoblast-derived osteoclast-stimulating factors) e OB-OCIF (osteoblast-derived osteoclast-inhibitory factors). Os OB-OCSF poderiam ser inibidos pela ação estrogênica, enquanto os OB-OCIF seriam estimulados na presença desse hormônio.

As interleucinas IL-1 e IL-6 podem ser as substâncias que atuam como OB-OCSF, visto a sua potente ação como estimuladora da atividade osteoclástica. Essas interleucinas poderiam ser derivadas dos osteoblastos ou seus precursores na medula óssea ou em células adjacentes. Observa-se diminuição dessas interleucinas in vitro na presença de 17b-estradiol22.

O OB-OCIF pode ser, entre outros, o TGF-b, que é liberado pelos osteoblastos em resposta à estimulação estrogênica. Essa citocina exerce potente ação mitogênica in vitro sobre células precursoras dos osteoblastos. Por outro lado, também diminui diretamente a reabsorção osteoclástica e inibe o recrutamento de células precursoras dos osteoclastos da medula óssea. Dessa forma, os estrogênios poderiam atuar aumentando a produção de TGF-b, inibindo assim a atividade osteoclástica. Tem-se demonstrado também ação direta in vitro dos estrogênios reduzindo a atividade dos osteoclastos, inclusive a produção de enzimas lisossômicas22,23,24,25,26,27 (Figura 7).

O uso de doses adequadas de estrogênios em terapêutica de reposição hormonal (TRH) claramente confirma o efeito protetor desses esteróides na conservação da massa óssea. Os efeitos dos estrogênios parecem ocorrer universalmente no esqueleto, incluindo os principais sítios de fratura osteoporótica. Estudos têm demonstrado que pelo menos 40 a 60 pg/ml de estradiol plasmático são necessários para adequada proteção óssea.

Quando o tratamento de reposição hormonal é interrompido, observa-se acelerada perda de massa óssea, que se assemelha à observada com a menopausa natural28. A reposição hormonal com propósito de conservação da massa óssea para ser eficaz precisa ser mantida por alguns anos. Não está estabelecido, em definitivo, o período adequado de tratamento visando a esse objetivo. Admite-se que um período de cinco a dez anos possa ser necessário para redução das fraturas osteoporóticas, quando a reposição hormonal teve início imediato no período pós-menopáusico.

Observa-se, pelo exposto, que diferentes mecanismos são propostos para explicar a modulação dos estrogênios no metabolismo local do tecido ósseo. De outra parte, tem-se a esperança de que um conhecimento melhor desses mecanismos locais, que modulam a remodelação óssea, poderão no futuro permitir uma melhor manipulação desse ecossistema, com substâncias que farmacologicamente possam favorecer um balanço final com ganho de massa óssea.

Outras influências endócrinas podem incluir insulina, glicocorticóides e hormônio tireóideo. As influências genéticas também podem explicar as diferenças raciais encontradas, como a maior incidência entre caucasianos e orientais comparados à raça negra, que parece ter alguma proteção em relação à osteoporose29.

Tomados em conjunto os fatores genético e hormonal, pode-se dizer que a massa óssea é geneticamente determinada e após a menopausa controlada por meio de hormônios.

Doenças intercorrentes que causem incapacidade temporária ou definitiva (por exemplo artrite reumatóide) e o uso prolongado de certas medicações, em especial os glicocorticóides, podem acarretar considerável prejuízo à massa óssea. Igualmente, a ingestão de álcool e o tabagismo também diminuem a massa óssea12. A obesidade em contrapartida oferece um efeito protetor a obesidade.

Especula-se aqui, além de níveis estrogênicos mais elevados entre as obesas, a influência genética e a ação do próprio peso em fortalecer o esqueleto30.

Contribui, na pós-menopausa, para o balanço negativo do cálcio a diminuição que se observa na absorção intestinal, associada a maior eliminação desse mineral pelos rins. Admite-se também que a ingestão de cálcio em mulheres na pós-menopausa está aquém dos requerimentos nutricionais exigidos nesse período, que está em cerca de 1.000 mg diários.

Avaliação do Risco para o
Desenvolvimento de Osteoporose

O conceito de limiar de fratura está intimamente ligado à condição estrutural de sustentação do esqueleto, que por sua vez se correlaciona com a massa óssea presente. Inicialmente esta podia ser determinada com base em estudos histomorfométricos. Atualmente empregam-se medidas indiretas da massa óssea com a mesma finalidade, como teremos a oportunidade de referir.

A perda óssea, como se viu, tende a ser mais acentuada nos primeiros anos que seguem a menopausa ou a ooforectomia bilateral. Por tais motivos e dentro da óptica apresentada, a perda da função ovariana representa por si só um risco para o desenvolvimento da osteoporose. Sabe-se que nem todas as pacientes desenvolverão a osteoporose pós-menopáusica. No entanto, é conhecido dos estudos epidemiológicos que cerca de uma em cada quatro mulheres desenvolverão a moléstia por volta dos 70 anos de idade.

A identificação dessas pacientes é da maior importância e pensamos que essa tarefa deva ser atribuída ao ginecologista. Dessa forma, didaticamente pode-se dividir o roteiro propedêutico básico para a avaliação do risco de desenvolvimento da doença nos seguintes itens.

Identificação clínica das pacientes de risco

Os fatores tradicionais de risco para a osteoporose incluem mulheres em geral de raça branca, com história familiar, de estatura baixa e magras (estrutura óssea frágil e delicada). O risco aumenta bastante se elas têm menopausa prematura ou cirúrgica e não são submetidas a terapêutica de reposição hormonal.

Esses fatores podem ser referidos como iniciadores e inevitáveis. Existem outros, no entanto, que podem acelerar a perda óssea, sendo passíveis de controle para cada indivíduo que os apresente. Entre esses alinham-se os fatores nutricionais, a inatividade física, os hábitos de vida e vícios. Algumas afecções médicas e o uso de determinadas medicações podem estar associados à perda de massa óssea. Os fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento da osteoporose podem ser observados na Tabela 1.

 

Tabela 1
Características das mulheres de risco para osteoporose

Primárias ou idiopáticas Secundárias

Inevitáveis Condições médicas

- Raça branca ou oriental - Insuficiência renal crônica

- História familiar - Gastrectomias e anastomoses

- Menopausa natural ou cirúrgica intestinais

- Fenótipo: baixa estatura, magra - Síndromes de malabsorção

Aceleradores Endocrinopatias

- Fatores nutricionais - Hiperparatireoidismo

Cálcio < - Hipertireoidismo

Vitamina D > - Diabetes mellitus

- "Roubadores" de osso Medicações

Cafeína - Anticonvulsivantes

Proteínas - Antiácidos (com alumínio)

Fibras - Hormônios da tiróide

Alimentos ácidos

Sal, álcool

- Inatividade física

- Tabagismo

Notelovitz, M. – Clin Obstet Gynecol, 30:871,1987 31.

 

Avaliação laboratorial da remodelação óssea

Os exames laboratoriais visando comprovar alterações da remodelação óssea, denunciativas do aumento da reabsorção que caracteriza a osteoporose involutiva do tipo I, apresentam resultados de interpretação difícil, além de problemas metodológicos, tornando seu emprego na atualidade ainda pouco usual entre os ginecologistas. Registre-se, no entanto, que novos marcadores mais sensíveis têm sido identificados, tornando bastante promissor o seu emprego no diagnóstico da perda óssea e no monitoramento das pacientes sob tratamento com fármacos que atuam no metabolismo ósseo.

A importância clínica da identificação precoce das pacientes com risco de osteoporose, visando à introdução do tratamento preventivo, tem contribuído para a pesquisa de novos marcadores de remodelação óssea que possam indicar a taxa de perda do tecido ósseo. As técnicas incluem a identificação plasmática ou urinária de proteínas ou fragmentos protéicos, colagenóticos ou não, de forma isolada ou em grupos de substâncias que se propõem separar indivíduos com perda óssea rápida daqueles com perda lenta.

A medida da massa óssea, como veremos posteriormente, pode por si só servir como índice de risco, sendo que as mulheres que apresentam massa óssea baixa na época da menopausa são as mais propensas ao desenvolvimento da osteoporose.

Os marcadores bioquímicos da remodelação têm, em tese, a vantagem de mostrar a realidade momentânea da remodelação óssea, contrariamente à densitometria óssea, que poderia apenas expressá-la retrospectivamente. Outrossim, esses exames, além de identificar as perdedoras rápidas de massa óssea, permitem predizer o prognóstico das pacientes que responderão melhor ao tratamento com as drogas anti-reabsortivas ou estimuladoras da formação óssea. Por último, em curto espaço de tempo, podem atestar a eficácia ou não do fármaco empregado, prestando-se portanto à monitoração do tratamento.

Descrevem-se inúmeros marcadores bioquímicos da remodelação óssea. Faremos menção apenas aos mais conhecidos e com citações mais freqüentes.

Marcadores da formação óssea

Existem no presente momento vários potenciais marcadores da formação óssea. Durante muitos anos houve um único marcador que dava informação sobre o lado da formação no processo de remodelação, que era a fosfatase alcalina sérica.

No osso, a fosfatase alcalina sérica ósseo específica (B-AP) é produzida pelos osteoblastos e liberada na circulação sangüínea. Faz parte do pool da fosfatase alcalina sérica (T-AP), representando habitualmente cerca de 11% a 16% do total plasmático. A fosfatase alcalina sérica total, por sua vez, é relativamente estável, fácil e barata de medir, mas não é específica para o osso, pois um único gene produz a mesma enzima no fígado, rim e intestino, além do osso.

Novas técnicas de radioimunoensaio têm permitido a dosagem isolada da fração óssea, cujo papel ainda não é inteiramente conhecido32,33. Embora na exclusão de doenças hepáticas a dosagem da T-AP apresente boa correlação com a B-AP, a dosagem desta última tem a vantagem de ser relativamente independente de interferência de outras doenças que intervêm com outras fontes de fosfatase alcalina. Apresenta boa correlação com a dosagem de osteocalcina, parecendo no entanto que essas duas substâncias possam expressar aspectos diferentes da remodelação óssea.

A osteocalcina, inicialmente denominada de BGP (bone Gla protein), ou proteína do osso vitamina K dependente, é uma proteína não-colagenótica, presente em maior quantidade na matriz óssea, constituindo cerca de 20% a 25%. Acredita-se que a osteocalcina derive exclusivamente dos osteoblastos com seus níveis séricos refletindo sobretudo a formação óssea. Seu metabolismo não é exatamente conhecido. Uma vez sintetizada é incorporada na matriz óssea e liberada na circulação sangüínea, podendo ser identificada no plasma por técnicas de radioimunoensaio. Costuma estar alta em situações de elevada remodelação óssea (exemplo: hiperparatireoidismo e doença óssea de Paget) e diminuída em situações de comprometimento da remodelação óssea (hipotireoidismo mixedematoso). De outra parte observa-se seu aumento no período pós-menopáusico e diminuição nas pacientes neste período da vida em terapêutica de reposição hormonal.

Existem novos marcadores da formação óssea de potencial importância, como o peptídeo procolágeno I, em especial o derivado aminoterminal (P coll I-N), que é um produto intermediário do metabolismo extracelular do colágeno tipo I. Esses peptídeos circulam no sangue e como tal podem tornar-se medidas sistêmicas do colágeno ósseo, componente predominante da matriz óssea. Essa possibilidade acrescenta importante medida para avaliar eficácia terapêutica, visto que as técnicas disponíveis refletem apenas o metabolismo mineral ósseo isolado.

Duas outras proteínas secretadas pelos osteoblastos, a osteonectina e sialoproteína óssea II, aguardam desenvolvimento de técnicas mais específicas de radioimunoensaio para que possam ser empregadas clinicamente. Apresentam o inconveniente de serem também produzidas pelas plaquetas, não sendo portanto específicas do tecido ósseo.

Marcadores da reabsorção óssea

Entre os marcadores bioquímicos da reabsorção óssea, dispõe-se da dosagem do cálcio urinário de 24 horas, da relação cálcio/creatinina e hidroxiprolina/creatinina na urina de jejum, da dosagem sérica da fosfatase ácida tártaro-resistente, da piridinolina, da deoxipiridinolina e dos fragmentos (cross-links) amino e carboxiterminais das moléculas do colágeno.

Admite-se que as pacientes que apresentem baixo cálcio na urina de 24 horas ou baixa relação cálcio/creatinina na urina de jejum, sem o uso de diuréticos tiazídicos, estão em regime de baixa ingestão de cálcio ou apresentam problemas de absorção. Tem sido utilizado, quando elevado, como um dos indicadores clássicos de reabsorção óssea aumentada, ainda que não seja específico da remodelação óssea. São empregados rotineiramente em protocolos de pesquisa do metabolismo de cálcio e em situações clínicas.

A relação hidroxiprolina/creatinina aumentada na urina de jejum pode estar associada com condições de elevada reabsorção óssea, incluindo hipertireoidismo, hiperparatireoidismo e doença de Paget, não sendo específica do estado pós-menopáusico. Em estudos prospectivos a hidroxiprolina urinária aumenta por ocasião da menopausa e é reduzida pela terapia estrogênica18. Tem utilização clínica e em pesquisa como marcador bioquímico da reabsorção óssea. Apesar disso, no entanto, não parece ser de forma isolada, quando do estudo individual de casos, inteiramente confiável, uma vez que pode estar normal em pacientes com osteoporose18.

Marcadores mais sensíveis da reabsorção óssea têm sido desenvolvidos. A piridolina e a deoxipiridolina, que fazem a ligação (cross-links) entre as moléculas do colágeno, parecem ser específicas para o colágeno do osso e da cartilagem. Em conseqüência de o tecido ósseo ser a fonte mais abundante de colágeno e de apresentar maiores taxas de remodelação comparada a outros tecidos conjuntivos tais como a cartilagem, a dosagem da piridinolina e, em especial, da deoxipiridinolina na urina expressam potencialmente a reabsorção óssea. Seus níveis são elevados em doenças que se caracterizam por alta remodelação óssea, estando também aumentados após a menopausa. Correlaciona-se com a reabsorção óssea medida em amostras de biópsia da crista ilíaca e não são influenciadas pela dieta.

A fosfatase ácida é uma enzima lisossômica presente em vários tecidos (próstata, baço, eritrócitos, plaquetas, etc.), incluindo o tecido ósseo. Trata-se em realidade de diferentes isoenzimas, que podem ser separadas pelos métodos eletroforéticos. A fosfatase ácida do osso, por sua vez, é resistente ao L(+)-tártaro, enquanto a isoenzima prostática da fosfatase ácida é inibida34. A fosfatase ácida tártaro-resistente corresponde, no plasma normal, à fração identificada eletroforeticamente vinda do osso, refletindo dessa forma a atividade osteoclástica. Apresenta no entanto dificuldades metodológicas na sua determinação (instabilidade em amostras congeladas e baixa especificidade), necessitando de ensaios de melhor qualidade para permitir o seu uso na clínica diária.

A maioria dos cross-links de piridinolina são excretados ligados a fragmentos de peptídeos das moléculas do colágeno, podendo sua dosagem expressar um índice quantitativo do pool total de piridinolina. O fragmento aminoterminal do final da molécula do colágeno humano contém 60% de deoxipiridinolina, sendo denominado de NTX (cross-linked N-telopeptide). Medidas urinárias de NTX proporcionam uma medida reprodutível da taxa de reabsorção óssea. Seus resultados correlacionam-se com as mediadas nas mesmas amostras de piridinolina e deoxipiridinolina35. Esse marcador reflete as mudanças de remodelação óssea da transição menopáusica e responde como se espera aos tratamentos com medicações anti-reabsortivas36,37,38.

Existem novas proposições de marcadores da remodelação óssea. Entre elas, a dosagem do fragmento carboxiterminal piridinolina do telopeptídeo do colágeno tipo I (ICTP). O ICTP é um fragmento cross-link que é liberado no fluido extracelular quando da quebra do colágeno por ocasião da reabsorção óssea. Com a melhora de sensibilidade dos ensaios poderá ser usado no futuro para identificar variações no processo reabsortivo ósseo.

A interpretação dos resultados dos marcadores de remodelação óssea ainda é difícil para os ginecologistas, havendo por parte deles uma predileção em acompanhar a evolução da massa óssea pelos exames densitométricos seriados. É possível, no entanto, que a análise dos marcadores bioquímicos de remodelação óssea possa ganhar a aceitação desses especialistas à medida que forem melhorando o erro de precisão, tornando-se menos onerosos, com interpretação mais fácil de seus resultados e possibilitando uma monitoração mais rápida dos resultados terapêuticos.

Quantificação da Massa Óssea

Aparentemente existe um nível de massa óssea, abaixo do qual existe grave comprometimento da microarquitetura óssea, com elevado risco de fratura. As mulheres que chegam à menopausa com melhor patrimônio ósseo são as que têm menor risco para o desenvolvimento futuro de osteoporose (Figura 8). Nesse sentido a densitometria reveste-se de grande importância para a identificação de pacientes com baixo pico de massa óssea.

As medidas de densidade podem ser empregadas na avaliação de pacientes, visando à quantificação da massa óssea, e em situações nas quais haja interesse no seu monitoramento. Prestam-se portanto para avaliar mulheres assintomáticas com propósitos de determinar a necessidade de intervenção profilática para conservar a massa óssea, para o diagnóstico da osteoporose em pacientes com sintomas, nas alterações sugestivas de baixa massa óssea em radiografias simples e para monitorar a eficácia do tratamento.

Diferentes técnicas têm sido empregadas para o estudo da massa óssea, especialmente nos locais de fratura. O estudo radiológico convencional é útil para o diagnóstico nas pacientes sintomáticas, não se prestando a avaliação de perdas iniciais ou no monitoramento das pacientes em tratamento. As alterações da radiotransparência ou de conformidade vertebral, denunciando osteoporose, tornam-se evidentes somente quando já ocorreu redução de 30% a 50% da massa óssea.

Atualmente, emprega-se a densitometria óssea de emissão dupla. É realizada principalmente na coluna e no fêmur, constituindo-se em bom método para avaliação do osso trabecular. Tem como fonte de energia os raios X. Sua precisão e exatidão são excelentes, a dose de radiação é baixa e a aceitabilidade das pacientes é elevada.

Os resultados da densitometria são referidos em g/cm2 de densidade mineral óssea ou BMD (bone mineral density). São usualmente comparados com a curva de distribuição da população normal de mesma idade (t-score) e de adultos jovens (z-score). Essa comparação é expressa percentualmente em relação à média de normalidade ou em desvios-padrão da curva de distribuição populacional de indivíduos normais.

Estudos têm sido feitos com a ultra-sonografia para avaliação de algumas regiões ósseas como as falanges, a patela e o calcâneo. Tem algumas vantagens sobre a densitometria: não expõe as pacientes à radiação, é disponível para uso portátil e é significativamente mais barato. Vem ganhando aceitação como medida da qualidade do osso, embora não se tenha claro exatamente quais características físicas do osso podem ser avaliadas por esse método.

A ultra-sonografia óssea deve ser considerada no presente como um método emergente, com seu definitivo papel ainda a ser estabelecido. Não está claro o seu lugar como método de imagem para estudo ósseo nem tampouco a sua correlação com a densitometria óssea convencional. As decisões clínicas, tendo em conta a medida da massa óssea, parecem mais apropriadas que sejam tomadas, no estágio atual dos conhecimentos, pela densitometria óssea, aguardando-se estudos posteriores para sabermos o exato significado da avaliação óssea pela ultra-sonografia.

Quadro Clínico

Em comparação com a hipertensão arterial, que é tida como "assassino" silencioso, a osteoporose é considerada como um "ladrão" silencioso. Insidiosamente, durante anos, subtrai do esqueleto suas reservas, tornando-o tão frágil que, não raro, se quebra espontaneamente.

As fraturas, em geral decorrentes de mínimos traumatismos, constituem-se na conseqüência principal da osteoporose. A fratura por esmagamento da vértebra e a fratura de Colles são muito comuns na osteoporose pós-menopáusica, ao passo que o colo do fêmur afeta mulheres em grupo etário mais idoso. O colapso vertebral assintomático não é raro, parecendo que a maioria das fraturas por esmagamento não apresenta sintomas agudos. Fraturas cuneiformes anteriores da coluna dorsal podem ser relativamente assintomáticas. Levam, no entanto, progressivamente à perda da altura e à cifose dorsal.

Por outro lado, um episódio de dor aguda nas zonas compreendidas entre a coluna dorsal média e a coluna dorsal inferior ou lombar superior, em repouso ou durante a atividade diária de rotina, pode ser o primeiro sintoma de osteoporose. O início da dor em geral é brusco e os pacientes, na maioria das vezes, lembram-se do momento exato em que teve início.

Habitualmente, conseguem identificar a vértebra em que a dor começou. Os fatores de piora da dor são a posição em pé ou sentada, com melhora em repouso no leito na posição de decúbito. Tosse, espirro e esforço para defecar podem ser acompanhados de exacerbação da dor. A dor aguda desaparece em várias semanas, com ou sem terapêutica analgésica. Pode ocorrer hemorragia retroperitoneal no sítio da fratura, levando à distensão abdominal e ilíaca.

O exame físico pode revelar contração dos músculos paravertebrais, que é palpável e freqüentemente visível. A coluna é sensível à pressão e à percussão ao redor da fratura, mas habitualmente não se identifica um ponto doloroso preciso, pois a fratura encontra-se mais na parte anterior do corpo vertebral que na altura dos elementos palpáveis do arco posterior.

Em cada episódio de colapso vertebral segmentar e cifose progressiva, a altura da paciente pode diminuir de 2 a 4 cm. Uma comprovação indireta da perda de altura e a comparação desta com a envergadura. Normalmente essas duas medidas se equivalem, havendo predomínio da envergadura sobre a altura nas pacientes com episódios de repetidas compressões vertebrais.

Embora a dorsalgia em decorrência das fraturas vertebrais seja o sintoma clínico mais comum da osteoporose, observa-se que em certas pessoas uma fratura da parte proximal do fêmur (na ausência ou em conseqüência de um leve traumatismo) ou, ainda, uma fratura da extremidade distal do rádio, devido a uma queda sobre o punho em extensão, pode ser o primeiro sintoma da enfermidade.

A ocorrência da fratura do quadril depende de numerosos fatores, principalmente do grau do trauma e da capacidade de resistência do osso. O aumento da probabilidade de quedas em idosos, associado a distúrbios neurológicos e cardíacos, é um fator de risco independente para todo tipo de fraturas.

Durante os longos intervalos que separam os episódios de fraturas por compressão das vértebras, as pacientes mantêm-se assintomáticas. Algumas delas, no entanto, referem uma dor postural crônica, surda, que se atenua graças a períodos freqüentes de repouso intermitente em posição horizontal.

Existem complicações a longo prazo em decorrência das fraturas de compressão das vértebras. As mais incômodas devem-se à restrição das cavidades torácica e abdominal. As pacientes, como resultado das alterações posturais, referem cansaço fácil e intolerância ao esforço. Apresentam alterações dispépticas, com sensação precoce de saciedade e intumescimento pós-prandial, mesmo em pequenas refeições.

Rastreamento da Osteoporose Secundária

O termo "osteoporose secundária" é reservado para a perda óssea, cuja etiologia exclui a osteoporose juvenil primária, o hipoestrogenismo da pós-menopausa e a senilidade. As causas de osteoporose secundária estão relacionadas na Tabela 2.

Tabela 2
Causas de osteoporose secundária

Estilo de vida Inatividade física (pacientes acamados) Tabagismo e alcoolismo

Desordens alimentares Deficiência de cálcio e vitamina D
Deficiência de vitamina C
Alta ingestão de proteínas e fosfatos (em idosos)

Problemas endócrinos Doença de Cushing
Hipopituitarismo
Diabetes mellitus
Doença de Addison
Acromegalia
Hiperparatireoidismo primário

Doenças ósseas e medulares Carcinoma metastático
Leucemia
Mieloma
Linfoma
Hemofilia
Talassemia

Doenças renais ou hepáticas Insuficiência renal
Diálise
Sobrecarga de alumínio
Insuficiência hepática e cirrose

Medicações Tratamentos prolongados com corticóide,
heparina, antiácidos, metotrexate, fenobarbital e difenilidantoína

 

Nem sempre é fácil fazer o diagnóstico de osteoporose secundária. Nem sempre a paciente traz, de forma clara e objetiva, uma causa específica, como as relacionadas aqui. Cada caso no entanto deve sempre ser avaliado a partir da história clínica.

De outra parte, a falta de resposta ao tratamento hormonal na peri ou pós-menopausa alerta para a possibilidade de causa secundária. Deve-se pensar, assim, na existência de outros fatores coadjuvantes da perda óssea, inibindo a formação, induzindo a reabsorção óssea ou bloqueando a absorção do cálcio.

O tabagismo é um hábito ainda relativamente freqüente entre as mulheres. A nicotina, além de prejudicar a vitalidade de outros órgãos, atua também nocivamente no metabolismo ósseo: transforma o estradiol em 2-metoxiestrona, metabólito inativo que bloqueia os receptores de estrogênio; atua sobre os ovários promovendo atresia folicular; age também de forma deletéria sobre as células ósseas.

O uso de corticosteróides por sua vez compromete de forma relevante a massa óssea. Esta ocorre habitualmente com o uso prolongado, podendo-se observar perda de 4% a 10% no fim do primeiro ano de uso9 , em especial no osso trabecular da coluna e colo do fêmur. Alguns mecanismos são descritos: inibição da formação óssea, por redução da osteocalcina; redução da absorção intestinal do cálcio por bloqueio da vitamina D; aumento da atividade osteoclástica.

No hiperparatireoidismo observa-se intensa atividade osteoclástica com presença de hipercalcemia e perda óssea. Igualmente no hipertireoidismo ocorre perda acelerada da massa óssea, devido também ao estímulo acentuado da reabsorção.

Vê-se pelo exposto que o osso não está sob influência de diversas alterações clínicas, espelhando-as geralmente por alteração de sua remodelação, com conseqüente perda de massa óssea. Um ginecologista atento pode identificar as pacientes portadoras de afecções ou fatores de risco, candidatas ao desenvolvimento de osteoporose de causas secundárias.

A preocupação em identificar causas secundárias deve estar presente na atividade do ginecologista. Deve-se estar atento a eventuais causas de osteoporose secundária que demandem tratamento específico, necessitando às vezes do concurso de outros especialistas.

Qual seria então o roteiro mínimo de investigação? Óbvio, como já salientado, que a história clínica bem conduzida pode dar bons subsídios e orientar a propedêutica subsidiária. Mais difíceis são, no entanto, os casos sem suspeita de causa secundária pela anamnese e exame físico. Nesses casos um mínimo de exames deve ser feito para excluir causas secundárias silenciosas, a exemplo de um mieloma múltiplo ou de um hiperparatireoidismo. Recomenda-se nesses casos o hemograma completo, a velocidade de hemossedimentação, as dosagens séricas de cálcio, fósforo, da fosfatase alcalina (fração óssea específica) e das transaminases. O exame do sedimento urinário e a calciúria de 24 horas ou da relação cálcio/creatinina na urina de jejum completam este elenco mínimo de exames subsidiários para rastreamento da osteoporose secundária, na ausência de evidências clínicas que possam orientar o diagnóstico (Tabela 3).

 

Tabela 3
Roteiro mínimo para rastreamento de causas secundárias de osteoporose

1. Hemograma completo

2. VHS

3. Dosagem sérica de cálcio e fósforo

4. Transaminases

5. Fosfatase alcalina (fração óssea)

6. Calciúria de 24 horas (ou cálcio/creatinina na urina de jejum)

7. Sedimento urinário

 

Nos casos em que se suspeita pelos exames realizados de causas secundárias de osteoporose, a exemplo de uma suspeita de hiperparatireoidismo a partir de uma hipercalcemia, é conveniente referir a paciente para atendimento especializado na busca do correto diagnóstico e tratamento.

Prevenção da Osteoporose Pós-menopáusica

O tratamento da osteoporose estabelecida, que será discutido posteriormente, apresenta resultados pouco satisfatórios. Diagnosticar a osteoporose quando se atingiu o limiar de fratura ou mesmo quando esta já ocorreu pouco contribui para minorar o sofrimento das pacientes acometidas. Proceder dessa forma seria o mesmo que diagnosticar a hipertensão arterial quando houvesse ocorrido um acidente vascular cerebral.

As estratégias atualmente mais valorizadas são aquelas que visam identificar as pacientes de risco para o desenvolvimento da osteoporose pós-menopáusica. Nesse sentido a contribuição do ginecologista é de suma importância. Esse é o profissional que tem a oportunidade de atender a paciente no momento em que se inicia a perda óssea com maior intensidade e tem, por conseguinte, a condição de identificá-la e empreender medidas profiláticas, visando atenuar a velocidade desse processo.

Algumas medidas profiláticas podem ser tomadas a partir do início da vida adulta. É importante estar atento aos fatores de risco. Destes os mais importantes são o fumo, o álcool e o café.

A estratégia racional para a conservação da massa óssea durante os anos climatéricos volta-se naturalmente para a fisiopatologia da perda óssea observada nesse período. Pelas razões já discutidas existe suporte para o emprego da terapêutica de reposição com estrogênios que com esta indicação tem sido largamente empregada em todo o mundo.

Quando mulheres sob carência estrogênica recebem a reposição desse hormônio, observa-se reversão de muitos dos efeitos da perda da função ovariana. As alterações bioquímicas na homeostase mineral, principalmente aumento do cálcio, fósforo e fosfatase alcalina sérica, além de cálcio e hidroxiprolina urinários, são revertidas39. Não é surpresa, portanto, que estudos bem controlados demonstrem que os estrogênios previnem a perda óssea da mulher na pós-menopausa39,40.

Estudos demonstram que mulheres ooforectomizadas não-tratadas perdem massa óssea quando comparadas a grupo sob reposição estrogênica e que a reposição desses hormônios por longo tempo (> 10 anos) reduz significativamente essa taxa de perda óssea39. A prevenção foi evidente quando os hormônios foram introduzidos nos dois primeiros anos após a ooforectomia e mesmo quando tardiamente introduzida (após 6 anos), conservando a massa óssea nos patamares então existentes (Figura 9).

O mesmo estudo39 demonstra que os benefícios são tão maiores quanto mais cedo é instituído o tratamento. Recomenda-se portanto a instituição da TRH assim que se confirme o declínio da função ovariana.

Tem-se comprovado a redução na incidência das fraturas de punho e do quadril da ordem de 50%, enquanto a redução das deformidades vertebrais alcança 90%41.

A dose eficaz de estrogênios conjugados e valerato de estradiol administrados por via oral na prevenção de osteoporose é, respectivamente, 0,625 e 1 a 2 mg/dia42. Nesse nível 95% da perda pós-menopáusica inicial é retardada em aproximadamente 95% das mulheres. Aumento dessas doses não parecem conferir benefícios adicionais.

Os estrogênios administrados em adesivos transdérmicos ou por meio de gel percutâneo parecem ser igualmente eficazes na conservação da massa óssea no período de pós-menopausa nas doses, respectivamente, de 37,5 a 50 mg/dia e 1 a 2 mg/dia, reduzindo a excreção urinária de cálcio e hidroxiprolina43.

Da mesma forma, a tibolona, derivada do noretinodrel, empregada na dose de 2,5 mg ao dia, tem mostrado eficácia em estudo duplo-cego, na conservação da massa óssea em mulheres na pós-menopausa44.

A adição dos progestogênios que se impõe na prevenção de anormalidades endometriais entre as pacientes com útero intacto que estão sob reposição estrogênica não parece atenuar os benefícios ósseos conseguidos com a reposição estrogênica. Por outro lado, alguns progestogênios, particularmente os 19-nor-derivados, parecem aumentar os efeitos dos estrogênios. Usada isoladamente a noretindrona foi eficaz em controlar a perda óssea em um estudo de dois anos45. Estudos adicionais são necessários para confirmar o papel osteotrófico dos progestogênios quando utilizados como agentes terapêuticos isolados.

Quando se analisam orientações e/ou tratamentos, visando à prevenção da osteoporose, tem-se em última análise a medida de sua real eficácia na redução das taxas de fraturas. Alguns trabalhos têm mostrado redução de fraturas osteoporóticas em pacientes sob reposição estrogênica. Acompanhando-se mulheres entre 50 e 74 anos de idade (Figura 10), usuárias ou não de terapêutica de reposição estrogênica, em estudo comparativo, pode-se observar que o risco de fraturas de quadril ou de punho foi reduzido em 50% a 60% nas usuárias com duração prolongada de hormônios (superior a 6 anos)46,47.

Deve-se também referir, por outro lado, que atualmente se reconhecem efeitos estrogênicos benéficos sobre o sistema nervoso central, e admite-se que esses efeitos favoráveis sobre capacidade cognitiva e sobre os reflexos das pacientes pós-menopáusicas podem também influenciar na redução das taxas de fraturas em usuárias de reposição hormonal. Nessas circunstâncias e por tais benefícios, as pacientes minimizam as suas possibilidades de quedas e traumas que, como se sabe, junto com a redução da massa óssea são os principais componentes na etiologia das fraturas osteoporóticas.

Visando à conservação da massa óssea recomenda-se que a terapêutica de reposição estrogênica tenha início tão logo se observem indícios clínicos ou laboratoriais de hipoestrogenismo, mormente nas pacientes de maior risco para o desenvolvimento futuro de osteoporose.

Existem opções não-hormonais que podem ser empregadas, visando à prevenção da osteoporose pós-menopáusica, que serão consideradas posteriormente, quando abordarmos o tratamento da osteoporose estabelecida. A sua indicação reside nas contra-indicações da TRH, na inaceitação e nos maus resultados. Parece-nos no entanto que essas opções geralmente devam ser associadas a TRH, visto que esta, como já referido, tem uma abrangência que extrapola o metabolismo ósseo.

Tratamento da Osteoporose Estabelecida

O tratamento médico da osteoporose estabelecida permanece controverso e insatisfatório. Procura-se em primeira instância proteger o patrimônio ósseo residual e se possível aumentar a sua massa óssea, visando melhorar a qualidade e resistência óssea e minimizar dessa forma o risco de novas fraturas, que é elevado nessas circunstâncias. Ao lado da preservação da massa óssea, deve-se ter em mente os programas de fisioterapia reabilitadora, visando à melhoria da qualidade de vida no período pós-fratura.

O ginecologista pode acompanhar e tratar farmacologicamente as pacientes com osteoporose pós-menopáusica estabelecida. É fundamental, para tanto, que possua conhecimentos sobre o mecanismo de atuação dos diferentes fármacos no tecido ósseo, que normalmente são de manejo fácil e pobres de efeitos colaterais. Nessa situação, no entanto, é importante que se descartem as causas secundárias de osteoporose, que devem ser encaminhadas para tratamento especializado. Um mínimo de exames para descartar causas secundárias de osteoporose deve ser realizado nessa ocasião (Tabela 3).

Os fármacos que atuam no osso são tradicionalmente classificados como agentes anti-reabsortivos ou agentes estimulantes da formação óssea. Os agentes anti-reabsortivos compreendem o cálcio, estrogênios/progestogênios, calcitonina, bisfosfonatos e vitamina D (secundário à absorção de cálcio) e os diuréticos tiazídicos. Os agentes estimulantes da formação óssea compreendem o fluoreto de sódio, esteróides anabólicos, PTH, possivelmente 1,25 (OH)2 vitamina D e exercícios físicos.

A maioria dos trabalhos relacionados ao tratamento da osteoporose estabelecida têm-se concentrado em pacientes com osteoporose do osso trabecular e fraturas de esmagamento. A razão para isso pode ser que a média de idade dessas pacientes está ao redor de 60 anos e as investigações clínicas podem propiciar avanços terapêuticos em tais casos. Os trabalhos sobre tratamento da osteoporose cortical em mulheres com idade entre 70 e 80 anos de idade portadoras de fratura do colo do fêmur são em menor número, devido às dificuldades de acompanhamento, em virtude da gravidade dos casos.

Os estrogênios e progestogênios, à semelhança do observado na prevenção, também parecem constituir-se em boa alternativa terapêutica na osteoporose estabelecida, apresentando resultados positivos na coluna lombar e mesmo no fêmur48.

Os antiinflamatórios não-hormonais podem ser empregados, visto que, além do efeito analgésico, atuam reduzindo as prostaglandinas com redução da reabsorção óssea e diminuindo a excreção renal de cálcio.

A calcitonina é um hormônio polipeptídeo de cadeia longa produzido pelas células parafoliculares da glândula tireóide. Embora seu papel na espécie humana seja ainda desconhecido, observa-se que seu emprego, na dose de 50 a 200 UI/dia, diminui a perda óssea adicional em coluna vertebral e fêmur em pacientes com osteoporose estabelecida, admitindo-se também uma recuperação parcial do osso anteriormente perdido. Tem importante efeito analgésico, podendo, com essa indicação, ser empregada em episódios de dor aguda decorrentes das fraturas vertebrais.

Devido à natureza protéica da calcitonina, ocorre degradação pelos sucos gástricos quando de sua administração por via oral. Por essa razão, a calcitonina tem sido administrada por via subcutânea, o que dificulta o seu emprego por longos períodos. Ultimamente tem-se administrado a calcitonina pela mucosa nasal com a utilização de spray nasal.

A administração de calcitonina sintética de salmão em spray nasal na dose de 200 UI diárias por 1 a 2 anos aumenta a DMO da coluna lombar em 2% a 3% comparada com placebo e diminui a taxa de novas fraturas vertebrais em 64%49. A biodisponibilidade da preparação do spray nasal é diferente da preparação por via subcutânea. A equivalência é de cerca de 50%, ou seja, 200 UI da preparação de calcitonina sintética de salmão em spray nasal equivalem a 100 UI da preparação subcutânea.

A calcitonina spray nasal é utilizada na dose de 200 UI/dia. Essa dose é eficaz em 75% das pacientes, havendo mínimo incremento com a dose de 400 UI/dia. Os efeitos colaterais são mínimos com essa preparação, entre os quais leve quadro de rinite e obstrução nasal50.

A calcitonina apresenta também propriedades analgésicas, presumivelmente decorrentes da sua mediação na liberação de endorfinas. Alguns estudos de pacientes com fraturas vertebrais têm demonstrado que a calcitonina sintética de salmão (injetável e spray nasal) reduz a dor em auto-avaliação das pacientes e o consumo de analgésicos51,52.

Não se tem definido o melhor esquema de administração de calcitonina e qual deve ser a duração do tratamento. O uso intermitente de calcitonina de salmão também parece ser eficaz. O efeito mais significativo sobre a massa óssea observa-se após o segundo ou terceiro ano de uso da medicação. Nessa época é interessante a reavaliação dos marcadores bioquímicos de remodelação óssea, sendo recomendável a interrupção do tratamento quando tais marcadores estiverem em faixa de normalidade. Deve-se no entanto monitorá-los a cada 3 ou 6 meses após a interrupção do tratamento. Quando houver nessa situação aumento dos marcadores bioquímicos denunciando perda óssea, deve-se reinstituir o tratamento53.

Inúmeros outros fármacos têm sido empregados na terapêutica da osteoporose estabelecida, havendo inclusive proposições de empregá-los também visando à prevenção da osteoporose pós-menopáusica, mormente nas contra-indicações ou resultados insatisfatórios da terapêutica de reposição hormonal.

O calcidiol, o calcitriol e o alfacalcidiol são metabólitos polares da vitamina D, que em princípio podem ser indicados em pacientes com deficiência dessa vitamina. O calcidiol, ou 25-hidroxivitamina D, é a forma de estoque, que pode beneficiar indivíduos com deficiência secundária em geral a problemas de absorção intestinal.

O calcitriol ou 1,25-diidroxicolecalciferol (1,25-diidroxivitamina D3) é o metabólito ativo mais potente da vitamina D. O papel do calcitriol como o mais importante regulador da absorção intestinal de cálcio suporta a racionalidade para o seu uso no tratamento das osteoporoses.

Na osteoporose pós-menopáusica estabelecida, o emprego do calcitriol em doses superiores a 0,5 mg/dia tem mostrado ganho de massa óssea e redução na taxa de fraturas vertebrais em estudos prospectivos com duração de 3 anos54.

Os pacientes em uso de calcidiol e calcitriol devem necessariamente controlar a calcemia, visto que hipercalcemia e hipercalciúria podem ocorrer sem sintomas e apresentar conseqüências clínicas sérias. Essa monitoração bioquímica geralmente se transforma em óbice para os pacientes recebendo esse tipo de tratamento.

Análogos de calcitriol, que podem ter efeitos mais seletivos no osso e na homeostasia do cálcio com menor risco de hipercalcemia, têm sido empregados. Entre estes, o alfacalcidiol ou 1 a(OH)D3 em estudos preliminares em usuárias de longa duração (6 a 7 anos) mostrou eficácia na redução de fraturas55. São necessários, no entanto, estudos prospectivos bem controlados para respostas mais conclusivas.

Os bisfosfonatos são compostos que se caracterizam por duas ligações carbono-fósforo. São análogos do ácido pirofosfônico, em que o átomo de oxigênio foi substituído por um átomo de carbono. Essa estrutura dos bisfosfonatos permite um grande número de variações em sua molécula estrutural possibilitando a síntese de diferentes compostos, com características físico-químicas e biológicas próprias. Não é possível, portanto, falar genericamente do efeito dos bisfosfonatos sem que se possa considerá-los na sua individualidade.

São agentes anti-reabsortivos. Decrescem rapidamente a taxa de reabsorção abaixo do nível de formação óssea, resultando em ganho líquido de massa óssea. O mecanismo de ação dos bisfosfonatos não é inteiramente compreendido. Parece atuar tanto nos osteoclastos quanto nos osteoblastos56. Esses agentes têm alta afinidade pelos cristais de hidroxiapatita sendo atraídos para a superfície de reabsorção óssea, interferindo com a atividade osteoclástica e reduzindo a reabsorção óssea. Tem alta especificidade pelo tecido ósseo não se acumulando em outros tecidos.

São pobremente absorvidos no trato gastrointestinal (menos de 1% da dose administrada por via oral), sendo recomendada a sua ingestão com água pela manhã em jejum, visando a sua melhor absorção. Não devem ser ingeridos com quaisquer alimentos, sob pena de importantes prejuízos na sua já baixa taxa de absorção intestinal.

Existe um grande número de bisfosfonatos disponíveis na prática clínica e muitos outros ainda em estudo. Não se pode falar genericamente dos bisfosfonatos. Os compostos que constituem essa extensa família de substâncias têm potências diferentes e apresentam diversos efeitos na remodelação óssea. Existem vários bisfosfonatos com efeitos positivos sobre a massa óssea em pacientes com osteoporose estabelecida, entre os quais o etindronato, o clodronato, o pamidronato, o alendronato, o tiludronato e o ibandronato.

O alendronato de sódio, um aminobisfosfonato, é o que apresenta melhores resultados em estudos prospectivos. Tem a propriedade de inibir a reabsorção óssea sem impedir a mineralização da matriz formada, fenômeno que pode ocorrer com outras categorias de bisfosfonatos.

Em um estudo multicêntrico, pacientes portadoras de osteoporose pós-menopáusica foram randomicamente tratadas com alendronato (um aminobisfosfonato) ou placebo. Todas as pacientes eram suplementadas com 500 mg diários de cálcio. Ao final de três anos de observação constatou-se densidade óssea na coluna vertebral, no colo do fêmur e no trocânter significativamente maior no grupo medicado em comparação ao grupo placebo57.

De igual modo, observou-se no grupo tratado com alendronato redução significativa na proporção de mulheres com novas fraturas, deformidades vertebrais, perda de altura e fraturas do colo do fêmur em comparação ao grupo placebo. Ao final do período de observação, a dose de 10 mg diários de alendronato é recomendada como sendo eficaz no tratamento da osteoporose estabelecida58 (Figura 11).

O impacto do uso a longo prazo dos bisfosfonatos precisa ainda ser demonstrado. Não se sabe ainda por quanto tempo devem ser utilizados e qual seu efeito no metabolismo ósseo e na qualidade do osso das usuárias por longo período. Representam no entanto os bisfosfonatos, em particular o alendronato de sódio, no presente momento, opção eficaz no tratamento da osteoporose estabelecida, em que pese as questões lembradas não estarem inteiramente respondidas.

Há enorme interesse em se conhecer os resultados da associação do calcitriol ou dos bisfosfonatos com a TRH. Vale aqui lembrar que esta última tem inúmeras indicações na mulher pós-menopáusica, entre as quais a conservação ou recuperação da massa óssea. Esta razão faz com que a racionalidade do tratamento aponte para a associação dos demais fármacos anti-reabsortivos à TRH e não a sua simples substituição, que traria prejuízos aos demais objetivos da reposição de hormônios. Não nos parece, em princípio, que a associação desses medicamentos possa se conflitar, visto terem mecanismos de atuação diferentes. Aguarda-se, no entanto, que trabalhos já em andamento possam oferecer respostas que endossem a racionalidade apontada para a associação desses fármacos a TRH.

De outra parte, dispõe-se no presente momento de substâncias denominadas "moduladores seletivos de receptores de estrogênios", genericamente SERM (Selective Estrogen Receptor Modulator), que apresentam, à semelhança dos estrogênios, efeitos favoráveis sobre a massa óssea.

O primeiro SERM com largo emprego clínico foi o tamoxifeno, como tratamento adjuvante em pacientes com câncer de mama. Nessas pacientes observa-se bom efeito sobre a massa óssea, perfil lipídico e efeito antiestrogênico na mama59,60. Apresenta-se, no entanto, à semelhança do emprego de estrogênios isolados aumento do risco de hiperplasia e câncer de endométrio61,62. Em função desses efeitos, outros SERM têm sido desenvolvidos visando ao tratamento da osteoporose sem os inconvenientes endometriais do tamoxifeno.

O raloxifeno, um benzotiofeno não-esteróide, tem-se mostrado seguro, não aumentando as taxas de hiperplasia e câncer endometrial61. Por outro lado, tem efeitos benéficos sobre a massa óssea e o perfil lipídico63,64 (Figura 12).

Pelos efeitos favoráveis sobre a massa óssea, o raloxifeno pode ser empregado com essa indicação, em substituição à TRH, nas pacientes de risco para osteoporose ou com doença estabelecida, particularmente naquelas com risco para câncer de mama ou que não aceitam a reposição hormonal com essa preocupação.

O fluoreto de sódio tem emprego tradicional no tratamento das cáries dentárias. A observação do aumento da densidade óssea em pacientes tratados com fluoreto despertou o interesse do seu emprego no tratamento da osteoporose.

O exato mecanismo de ação do fluoreto de sódio não é bem compreendido, sendo observado no entanto aumento do número e da atividade dos osteoblastos. Experiências "in vitro" sugerem uma ação direta do fluoreto estimulando a proliferação dos precursores dos osteoblastos, sendo portanto considerado um fármaco que estimula a formação óssea65.

Há controvérsias sobre a sua eficácia, sendo questionada a qualidade do osso formado e a redução na incidência de fraturas. Por outro lado, apresenta grande variação individual na resposta terapêutica, por razões não bem compreendidas.

Observam-se efeitos colaterais gastrointestinais (epigastralgia, náusea, vômitos, diarréia e melena) e artralgias, principalmente de membros inferiores.

Uma dose razoável seria o equivalente a um suplemento de 25 a 35 mg de fluoreto ao dia. Estudos prospectivos bem desenhados, de longa duração, atualmente em curso poderão em breve estabelecer o real papel do fluoreto de sódio no tratamento da osteoporose.

Os agentes anabolizantes são compostos quimicamente relacionados aos androgênios, diferenciando-se destes pelo poderoso efeito anabólico protéico em doses que têm pouco efeito androgênico, não sendo no entanto possível a erradicação desses efeitos androgênicos.

Dentre os agentes anabolizantes, o decanoato de nandrolona tem sido usado para o tratamento da osteoporose, nas doses de 25 a 50 mg, por via intramuscular, a intervalos de 3 ou 4 semanas. Estudos prospectivos recentes têm demonstrado que pacientes com osteoporose estabelecida têm obtido ganho de massa óssea. De outra parte, observa-se aumento da massa muscular e redução de massa gordurosa66.

Entre os flavonóides, o ipriflavona parece ter indicação no tratamento da osteoporose. Seu exato mecanismo ainda não é conhecido. Apresenta atividade estrogênica, podendo dessa forma atuar no metabolismo ósseo ou propiciar aumento da ação dos próprios estrogênios. Não se tem ao certo o seu principal foco de atuação, sendo identificadas ações tanto em osteoblastos quanto em osteoclastos. São necessárias novas investigações para um melhor conhecimento do seu mecanismo de ação e estudos prospectivos para comprovação de sua eficácia.

Com o desenvolvimento das técnicas de medição da massa óssea, pode-se observar que os agentes que atuam na remodelação óssea não agem de maneira uniforme em todos os sítios ósseos. Está agora bem-estabelecido, que um determinado agente pode promover ganho em um sítio ósseo às expensas de perda em outro.

A restauração de um esqueleto osteoporótico é difícil. Devem ser eliminados os fatores que podem agravar a perda óssea e aumentar o risco de fraturas.

A decisão sobre o tratamento deve levar em conta o arsenal medicamentoso existente e as condições de cada paciente, sendo que a decisão deve ser tomada em conjunto pelo médico e paciente.

Assim, é recomendável que se tenha um bom conhecimento sobre o mecanismo e o sítio ósseo de ação preferencial de cada um desses agentes, para que se possa indicá-los com razoável segurança e adequado monitoramento.

A terapêutica de reposição hormonal tem lugar na prevenção e no tratamento da osteoporose estabelecida. Além de conservar a massa óssea residual, melhora a capacidade cognitiva e a coordenação motora, contribuindo adicionalmente para reduzir a possibilidade de quedas, que é dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento das fraturas osteoporóticas.

O papel do cálcio

A proteína matriz do osso consiste primariamente de colágeno embebido em uma substância suporte de mucopolissacarídios. Representa 35% do volume de material intercelular. A parte mineral óssea ocupa o restante. Os cristais de hidroxiapatita do osso mineralizado contêm significativas quantidades de sódio, magnésio, carbonato e ions citrato, mas cálcio e fósforo são os principais constituintes. Fatores que regulam sua suplementação, absorção, deposição e retirada do tecido ósseo contribuem para a saúde, a estrutura e a resistência óssea.

O cálcio deve fazer parte de qualquer esquema preventivo ou terapêutico que se faça para a osteoporose. Não se tem no entanto dados conclusivos sobre as necessidades reais de cálcio e sua eficácia na prevenção da perda óssea peri e pós-menopáusica, visto que esta pode ser influenciada por vários fatores nesse período da vida, em particular do hipoestrogenismo, seu principal determinante.

Os estudos têm demonstrado que após a menopausa há um grande aumento da perda de cálcio que, embora apresente grandes variações individuais, situa-se em média próximo a 40 mg/dia67.

Tem-se que a piora da absorção intestinal de cálcio exerce importante papel na patogênese da osteoporose. Para que o organismo tenha os seus requerimentos de cálcio atendidos, é necessário que se encontre suficiente quantidade de cálcio na luz intestinal e que a absorção se faça eficientemente. Inadequada ingestão ou absorção de cálcio leva a mobilização de cálcio ósseo, implicando em balanço negativo de cálcio.

Na osteoporose do tipo senil, ocorre redução da vitamina D e da absorção de cálcio, possivelmente devido à diminuição da capacidade da pele e do rim para sintetizar e hidroxilar a forma ativa da vitamina D. Ocorre também um decréscimo de absorção intestinal da vitamina D de fontes alimentares em indivíduos idosos.

Atualmente, reconhece-se a necessidade de adicionar-se vitamina D à suplementação de cálcio em indivíduos acima dos 70 anos de idade, havendo experiências comprovadas de aumento de densidade óssea e redução de fraturas com essa associação nessa faixa etária18-21. As doses de 600-800 UI/dia têm mostrado melhora no balanço de cálcio e redução nas taxas de fratura em indivíduos idosos68.

As necessidades de cálcio sofrem profundas variações individuais e com a idade das pacientes. De igual modo, o estado hormonal, os constituintes da dieta e fármacos, além dos fatores genéticos, influenciam nos requerimentos de cálcio, fazendo com que algumas pessoas necessitem de especial atenção com relação à ingestão de cálcio (Tabela 4).

Admite-se, entretanto, que menos de 25% da população adulta apresente consumo adequado de cálcio. A maioria das mulheres recebe 500 mg ou menos de cálcio através de suas dietas, quantidade esta, abaixo dos requerimentos nutricionais diários recomendados para mulheres na peri e pós-menopausa68. Não dispomos de dados bem-elaborados do consumo de cálcio em mulheres pós-menopáusicas em nosso país.

O Instituto Nacional de Saúde Norte-americano, em uma reunião de especialistas – National Institutes of Health Consensus Development Conference on Optimal Calcium Intake68 –, estabeleceu, com base nas informações disponíveis, os requerimentos de cálcio para as pessoas em diferentes situações e faixas de idade (Tabela 5).

 

Tabela 5
Ingestão diária recomendada de cálcio (em mg/dia) para mulheres em diferentes situações

Entre 25 e 50 anos 1.000

Grávidas ou lactantes 1.200-1.500

Na pós-menopausa (com TRH) 1.000

Na pós-menopausa (sem TRH) 1.500

Acima dos 65 anos* 1.500

* necessidades estimadas também para homens (futuras pesquisas são necessárias para este grupo etário). Modificado do National Institutes of Health Consensus Development Conference on Optimal Calcium Intake68.

 

A mesma reunião de consenso estabelece que a vitamina D (600-800 UI/dia) é essencial para uma adequada absorção de cálcio e que uma dieta de 2.000 mg/dia de cálcio é segura para a maioria das pessoas68.

Recomenda-se que na medida das possibilidades esses requerimentos venham de fontes alimentares ou de alimentos enriquecidos com cálcio, fracionando-se a ingestão total ao longo do dia, com a ingestão dando-se de preferência às refeições. A última ingestão deve ser feita no período noturno, próximo ao deitar.

Deve-se evitar em uma mesma refeição os alimentos ricos em cálcio e os ricos em fibras, pois estes diminuem a absorção intestinal de cálcio. Quando por outros motivos deseja-se a ingestão de fibras, deve-se recomendá-las em refeições distantes daquelas em que se objetiva a absorção de cálcio.

A principal fonte alimentar de cálcio é o leite e seus derivados. As tabelas de conteúdo de cálcio nos alimentos (excetuando-se o leite e os derivados), não refletem verdadeiramente a quantidade de cálcio real absorvida. Um copo de leite tem cerca de 300 mg de cálcio. Outras fontes nutricionais de cálcio podem ser encontradas na Tabela 6.

 

Tabela 6
Principais fontes nutricionais de cálcio

Fonte Quantidade Cálcio (mg)

Leite total 1 copo 291

Leite desnatado 1 copo 302

Queijo 30 g 150-340

Requeijão 1/2 xícara 77

Sorvete 1/2 xícara 88

Iogurte 1 xícara 350-400

Sardinhas (com ossos) 1 copo 372

Salmão (com ossos) 1 copo 167

Brócolo 1 talo 100

Couve 1/2 xícara 150

Apesar de inicialmente ser proposto uma ingestão de cálcio por meio de fontes alimentares, muitas mulheres não conseguem seguir essa orientação, dando-se nestes casos preferência aos suplementos de cálcio. Nessas situações, emprega-se geralmente o carbonato de cálcio, visto que esse preparado fornece uma proporção maior de cálcio (40%). Recomenda-se que seja ingerido com alimentos, para intensificar a sua biodisponibilidade em meio ácido. Outros preparados farmacêuticos usados como suplementos de cálcio são o lactato, o gluconato e o complexo osseína-hidroxiapatita.

A ingestão de cálcio é segura em mulheres com cálcio sérico normal e sem antecedentes de nefrolitíase ou hipercalciúria. Os cálculos renais em geral ocorrem em indivíduos com deficiência de enzimas que solubilizam o cálcio urinário, não se devendo, via de regra, ao excesso de ingestão de cálcio.

O papel dos exercícios

Os exercícios são também utilizados na prevenção da osteoporose. Realizados contra a gravidade, ajudam a reduzir o índice de perda óssea nas mulheres pós-menopáusicas69. A magnitude desse efeito ou sua persistência ao final do programa de exercícios não está esclarecida.

A aceitação ou a adesão das pacientes aos programas de exercícios em geral não é boa. Recomendam-se exercícios que imponham sobrecarga mecânica sobre os ossos. As atividades que suportam peso, como a caminhada e a corrida, combinam a gravidade e a contração muscular para sobrecarregar mecanicamente os ossos das extremidades inferiores e coluna. A natação, mesmo que possa aumentar a sobrecarga mecânica para o rádio e os metatarsos, é um estímulo insuficiente para as vértebras lombares, não sendo adequada para conservação da massa óssea no esqueleto axial.

Os exercícios, como se sabe, oferecem outros benefícios além dos mencionados na conservação da massa óssea. Alinham-se entre esses os benefícios neuropsicológicos e afetivos (sensação de bem-estar, melhora da capacidade afetiva, cognitiva e de raciocínio), benefícios bioquímicos (diminuição do colesterol plástico, aumento do HDL colesterol, aumento da atividade do sistema fibrinolítico, redução da agregação plaquetária, melhora da sensibilidade periférica de insulina, etc.) e benefícios cardiovasculares (aumento do débito cardíaco máximo, redução da freqüência cardíaca de repouso, hipertrofia miocárdica, redução da resistência vascular periférica sistêmica, etc.). Os exercícios também promovem aumento da massa muscular e diminuição da massa adiposa, contribuindo para o controle da obesidade.

Antes de iniciar a atividade física, é recomendável que as pacientes climatéricas de vida sedentária sejam submetidas a uma avaliação clínica. Os testes de aptidão física que visam avaliar a capacidade aeróbia podem ser dispensados entre as mulheres assintomáticas com exame clínico normal. As portadoras de cardiopatias ou problemas osteoarticulares devem ser submetidas à avaliação especializada.

São necessários mais estudos para definir a intensidade, a duração e a freqüência da sobrecarga obtida pela atividade física, necessária para a manutenção da massa óssea, de forma que seja possível desenvolver prescrições exatas de exercícios adequados, que reduzam o risco de lesão.

Deve-se ter em mente os possíveis riscos quando os exercícios são prescritos de forma inadequada. Os mais importantes são os danos osteoarticulares e a descompensação de eventual doença cardiovascular assintomática.

Considerando-se as observações feitas, recomenda-se que, durante o climatério, as pacientes caminhem cerca de 3 a 5 vezes por semana, em ritmo de marcha moderada, com duração de 30 a 40 minutos. O local das caminhadas deve ser plano e com bom ar atmosférico (bem arborizado). Antes do início das caminhadas, deve ser realizado aquecimento muscular. Devem ser evitados exercícios de impacto, visando prevenir as lesões osteoarticulares.

Todo esforço deve ser feito para evitar a possibilidade das quedas, que aumentam exponencialmente com a idade. As doenças que impliquem possibilidade de quedas devem ser eficientemente tratadas, evitando-se, quando possível, os medicamentos que comprometam o equilíbrio e a coordenação motora. As pacientes devem ser educadas sobre o risco das quedas, particularmente após as refeições ou ao levantar do leito à noite. Condições inseguras nos dormitórios ou em qualquer outro ponto do domicílio devem ser eliminados, uma vez que o maior número de quedas com fraturas subseqüentes ocorrem dentro da própria residência. O uso de protetores de quadril para pessoas idosas e de risco para fraturas osteoporóticas podem ser interessantes2.

O ginecologista deve encarregar-se da identificação das pacientes de risco para o desenvolvimento da osteoporose pós-menopáusica. O tratamento da osteoporose estabelecida deve ser feito conjuntamente com reumatologistas, endocrinologistas e ortopedistas, cabendo nessa circunstância ao ginecologista o controle da terapêutica da reposição hormonal. Devem os ginecologistas também se familiarizar com o manejo dos demais fármacos que atuam no metabolismo ósseo para melhor acompanhar as pacientes.

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